— E até quando vai ser assim Jão?
— Assim como moça? sorriu ao esperar a resposta
— Assim, sabe? Isso de coração vázio, isso de corpo vázio…Essas coisas.
— Vai ser assim, até quando você quiser que seja, moça.
— Até quando eu quiser? perguntou num tom irônico
— É, ué. Deixa alguém entrar.
— Entrar? Como Assim Jão?
— Entrar no corpo, no coração…Te garanto que o vazio acaba. sorriu meio disfarçado
— Do conta disso não, Jão?
— Não da conta porque, moça?
— Todas às vezes em que eu abri meu corpo, meu coração e deixei alguém entrar, o cidadão não quis permanecer, foi embora e deixou só o vazio, o de sempre sabe?
— Sei, e você ainda não superou esse medo né moça?
— Medo Jão? Não é medo não, é prevenção. sorriu debochada
— Prevenção? (risos) Pensa que me engana não é, moça?
— Quero enganar ninguém não, Jão. Só não acredito que seja medo.
— É medo sim, moça, medo de um cidadão entrar no corpo, no coração e decidir ficar e assim acabar com a sua rotina, acabar com o vazio.
— Será, Jão?
—Tô dizendo, moça…Se permita mais uma vez, só mais uma vez, deixe as coisas serem diferentes ao menos uma vez e esse vazio acaba.
(silêncio)

